Foto Lumina Fotorgafia

Mães aguardam ansiosas por Banco de Leite Humano


02/03/2020 11h41 • atualizado 02/03/2020 12h11

Emendas do vereador Marcel Silvano podem garantir implantação do BLH até julho deste ano

Mães que tiveram experiências dramáticas no período pós parto, tendo dificuldades para amamentar e doar leite materno, estão esperançosas com a possibilidade de implantação do Banco de Leite Humano (BLH) até o final de julho deste ano. A expectativa positiva vem da iniciativa do vereador Marcel Silvano, que mais uma vez apresentou proposta de Emendas ao Orçamento Municipal de 2020, voltadas para concretização do BLH no Hospital Público Municipal (HPM).

O parlamentar apresentou novamente para este ano, a Emenda Impositiva, no valor de R$ 300 mil, já que nos anos anteriores o Governo não executou. Além da emenda impositiva, tem também a Emenda Aditiva, de sua autoria, ao mesmo Orçamento, no valor de R$ 800 mil, para que o BLH seja de fato implantado.

“Nós apresentamos as emendas, mas é necessária muita pressão para que ela se torne realidade. Muitas emendas importantes como essas são aprovadas e não são realizadas pelo Executivo”, disse Marcel.

Consultora em aleitamento materno do coletivo Aldeia de Mães, integrante do movimento Amor Líquido e enfermeira, Lívia Sá Nascimento, informou que a prefeitura manifestou interesse implantar o BLH ainda este ano.

“O prefeito me ligou recentemente e disse que tem interesse em fazer. Temos o apoio do Marcel por meio dessas emendas e o governo está em diálogo novamente com a Fiocruz para poder implantar até em julho, nas comemorações do aniversário da cidade”, disse Lívia.

Importância do BLH

Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil possui a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Criado juntamente com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 1998, a rBLH-BR tem a missão de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, coletar e distribuir leite humano com qualidade certificada e contribuir para a diminuição da mortalidade infantil.

Além de beneficiar bebês prematuros e de baixo peso, os Bancos de Leite Humano (BLH) dessa rede, que somam mais de 225 unidades no país, realizam atendimento de orientação e apoio à amamentação.

Lívia Sá destaca, inclusive, que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que toda cidade que possui uma UTI Neonatal tem que ter um Banco de Leite. “Macaé tem quatro UTIs. O BLH é fundamental para salvar as vidas desses bebês que estão nessas unidades”, alertou.

rBLH-BR em destaque internacional

Para ter noção da importância da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, este ano, um brasileiro recebeu o prêmio internacional Dr. Lee Jong-wook de Saúde Pública por liderar rede de bancos de leite humano. O premiado foi o pesquisador e servidor público da Fiocruz, João Aprígio Guerra de Almeida, que está à frente da rBLH-BR. Ele será reconhecido em uma premiação a ser concedida em maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na Assembleia Mundial de Saúde, que ocorrerá em Genebra, na Suíça.

Experiências e luta

A enfermeira Lívia Sá conta que quando seu filho nasceu, ficou internado na UTI neonatal e enfrentou uma experiência dramática ao tentar amamentar. Foi nessa situação que tomou conhecimento que Macaé não tinha o BLH e abraçou a luta junto às outras mães para conquistar o BLH para Macaé.

“Na época eu fazia enfermagem e imaginava que uma cidade com potencial econômico como Macaé teria um Banco de Leite Humano, mas não tinha. Tive dificuldades para amamentar, mas amamentei meu filho até os três anos de idade e comecei a trabalhar com a amamentação, porque entendi a importância disso e por meio do Aldeia de Mãe, onde conheci Aline Oliveira, que ao contrário de mim que não tinha leite, ela jogava cerca de ½ litro de leite fora, porque não tinha o BLH”, revelou.

Segundo Lívia, ambas começaram a pesquisar e tentar entender a razão de não ter Banco de Leite em Macaé. Recorda que entre 2013 e 2014 chegou a ter um movimento em prol da causa e o prefeito falou dessa possibilidade e dialogou com Fiocruz. “A pauta foi tema na Conferência Municipal de Saúde, mas em 2015 saiu da pauta. Em 2017 eu a trouxe de volta, assim como em 2019”, acrescentou.

A profissional doula Melina Leal, que é técnica e faz faculdade de Enfermagem, também integra esse movimento. Ela conta que sua filha nasceu prematura de 33 semanas e também ficou internada na UTI neonatal. Seu leite demorou a descer, era primípara e todo desgaste físico e emocional influenciou para a dificuldade da descida do colostro. Por esse motivo foi dado fórmula no primeiro e segundo dia de vida da sua filha, um dos fatores que propiciaram o desenvolvimento da doença chamada Enterocolite, que é uma inflamação no intestino que pode levar a necrose.

“Ela não podia se alimentar por via oral ou enteral, mas precisava de um tratamento chamado colostroterapia, onde ela precisava do meu leite materno. E foi muita luta para conseguir algumas poucas gotas, mas aos poucos fui conseguindo. Mas era difícil manter uma produção boa e adequada de leite, pois não havia contato direto com ela, não havia o estímulo sucção.

 A filha de Melina ficou 23 dias internada, venceu a doença e ganhou peso. Mas em casa enfrentou a batalha para que ela mamasse e começasse o aleitamento materno exclusivo. A ajuda da família foi fundamental, porém ressalta que se tivesse um BHL em Macaé, não teria passado por esse drama.

“Ter um banco de leite em Macaé significa bebês prematuros se recuperando mais rápido, mães tendo onde conseguir apoio e atendimento adequado. O leite materno é o único alimento realmente completo para um bebê, não existe fórmula que se iguale a ele. Precisamos de um banco de leite humano em Macaé”, concluiu!

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